Em um dos momentos da vida profissional, a gente se surpreende. Foi o que ocorreu no começo dos anos 2000. Ainda havia cadeias em Distritos Policiais de Campinas. Certo dia, na cobertura de uma rebelião no 5º DP, os presos exigiam a presença da imprensa. Estava eu lá e, ao ouvir o pedido, entrei na carceragem.
O local era para abrigar 24 homens, mas havia cerca de 200. No momento em que entrei na carceragem, com outros colegas de imprensa, houve aglomeração dos presos na grade que dividia a carceragem do pátio de sol.
Uma confusão. Todos falavam ao mesmo tempo. Após entrevistar alguns, já me preparava para sair, quando ouvi um rapaz me chamar. Depois apareceu outro. Um deles disse: "o senhor lembra da gente. Fez entrevista quando a gente foi preso depois de roubar uma advogada". Parei e lembrei da dupla.
Um deles continou. "O senhor disse, quando eu perguntei, que a gente ia ficar uns 45 dias preso, se tivesse advogado. Mas já faz quase 60 em nada. O senhor pode ver isto pra gente?". Após este dia, passei a acreditar que as pessoas presas poderiam me reconehcer fora do serviço, coisa em que não acreditava. Aprendi uma lição: tomar mais cuidado e não me mostrar muito ao entrevistar os suspeitos.
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