terça-feira, 27 de março de 2012

"Estou de volta pra casa"

Hortolândia, na Região Metropolitana de Campinas (RMC) proporcionou um dos momentos que mais extremeceram. Não pelo lado, mas bom. Entre final dos anos 1990 e começo da década de 2000. Um garoto, então com uns 10 anos, some de casa. A mãe, funcionária pública municipal, cai no desespero. Como de costume, pelas manhãs, a lida era procurar notícias. E assim descubro o desaparecimento do menino.

Com levantamento de dados, a reportagem sobre o desaparecimento do garoto ganha corpo. Uma foto da mãe que segurava o retrato dele é feita e publicada no jornal, capa. No dia seguinte, o menino é encontrado, após um homem o vir em Campinas e chamar a Polícia Militar. A mãe avisa no jornal e a notícia do encontro é publicada. Dias depois, fui a Hortolândia conhecer o garoto de perto. Extremeci quando percebi o quão bom foi o retorno dele.

História acabada? Não. Anos depois, vou a Hortolândia para outra história, triste, homicídio. No 2º Distrito Policial aguardo o momento de ser atendido pelo delegado. De repente, uma mulher se aproxima. "Você não é o Adagoberto?". Acenei com a cabeça positivamente. Ela diz então: "Sou a Ana. Faz uns anos você fez a história do meu filho desaparecido e encontrou ele, trouxe ele de volta pra casa". Agora ele já está até no Exército". Assustado, atordoado, incrédulo. Talvez mais palavras eu poderia usar para mostrar aquele momento. Mas resumo com apenas uma: emoção. E um pensamento: dever social cumprido.

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